sexta-feira, 21 de julho de 2017


Antes usava isso aqui pra te mandar mensagens
Te mostrar o que eu queria
Hoje você não me vê mais
Hoje você não me sente mais
Hoje você nem mesmo me lê mais
Enquanto isso, tudo que eu escrevo aqui
Que escrevia pra você
Escrevo somente pra mim mesmo
Como desencargo, de que eu pude desabafar
Poder contar um pouco, mesmo que pra ninguém
Desse sentimento enorme que me assola a vida
Me tira as noites de sono.

Me faz querer você.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Sonhei contigo, novamente.
Dessa vez foi tão real, tão nítido.
Eu podia te ver claramente. Sentia tua presença, senti teu cheiro.
E fiquei triste.
Porque em nenhum momento pude te tocar.
Conversou comigo como um amigo\colega, me olhou como quem não se importa mais.
Parecia que nunca havia existido nada.
Simplesmente tudo ficou para trás.
Talvez seja esse o destino, será esse o preço a pagar?

Sei que sonhei contigo, apesar de ter sido tão real, foi tão doloroso.
Me fez lembrar o quanto te amo, e te amo demais.

Pode ser cruel a eternidade, eu ando em frente por sentir saudade.

sábado, 17 de junho de 2017

Hoje acordei com saudades.
Senti saudades da sua voz.
De quando eu te ligava as 8 da manhã e você atendia o telefone acabando de acordar, com a voz de sono me dizendo que te acordei.
Senti saudades de passar por aquele caminho que eu fazia só pra te buscar, sempre. Um caminho feliz.
Lembrei da sua respiração no meu pescoço quando deitavamos juntos, abraçados. Sentir você dormir abraçado em mim.
Hoje acordei com saudades... e chorei.
Chorei como há muito tempo eu não chorava. Chorei como uma criança que sente falta da mãe, como quem sofre o luto de um ente querido.
Chorei porque não posso matar essa saudade, apesar dela me matar dia a dia, pouco a pouco.
Qualquer dia morro de verdade.
Causa mortis: saudade.

quarta-feira, 8 de março de 2017

E o poeta, depois de se secar, descobriu que seu mal não em fim
Não conseguindo mais pelos olhos, passou a chorar pelos dedos.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Autor Desconhecido

Em uma folha de papel amarelo com linhas verdes
ele escreveu um poema
E o intitulou "Chops"
porque era o nome de seu cão
E era o que estava em toda parte
E seu professor lhe deu um A
e uma estrela dourada
E sua mãe o abraçou à porta da cozinha
e leu o poema para as tias
Era o ano em que o padre Tracy
levava todas as crianças ao zoológico
E ele deixou que cantassem no ônibus
E sua irmãzinha tinha nascido
com unhas minúsculas e nenhum cabelo
E sua mãe e seu pai se beijavam tanto
E a garota da esquina mandou para ele
um cartão de Dia dos Namorados assinado com vários X
e ele teve de perguntar ao pai o que significava X
E seu pai deixou que ele dormisse na sua cama à noite
E era sempre lá que ele dormia
Em uma folha de papel com linhas azuis
ele escreveu um poema
E o intitulou "Outono"
porque era o nome da estação
E era o que estava em toda parte
E seu professor lhe deu um A
e o pediu para escrever com mais clareza
E sua mãe não o abraçou à porta da cozinha
por causa da pintura nova
E as crianças disseram a ele
que o padre Tracy fumava cigarros
E largava as guimbas no banco da igreja
E às vezes elas faziam buracos
Que era o ano de sua irmã usar óculos
com lentes grossas e armação preta
E a garota da esquina riu
quando ele pediu para ver Papai Noel
E os garotos perguntaram por que
a mãe e o pai se beijavam tanto
E seu pai não o cobria mais na cama à noite
E seu pai ficou furioso
quando ele chorou por isso.
Em um pedaço de papel de seu caderno
ele escreveu um poema
E o intitulou "Inocência: Uma Questão"
porque a questão era sobre uma garota
E isso estava em toda parte
E seu professor lhe deu um A
e um olhar muito estranho
E sua mãe não o abraçou à porta da cozinha
porque ele nunca o mostrou a ela
Foi o primeiro ano depois da morte do padre Tracy
E ele esqueceu como terminava
o Creio em Deus Pai
E ele pegou a irmã
se agarrando na varanda dos fundos
E sua mãe e seu pai nunca se beijavam
nem mesmo conversavam
E a garota da esquina
usava maquiagem demais
O que fez ele tossir quando a beijou
mas ele a beijou mesmo assim
porque era a coisa certa a fazer
E às três da manhã ele se aninhou na cama
seu pai roncava alto
É por isso que no verso de uma folha de papel pardo
ele tentou outro poema
E o intitulou "Absolutamente Nada"
Porque era o que estava em toda parte
E ele se deu um A
e um corte em cada maldito pulso
E se encostou na porta do banheiro
porque nessa hora ele não pensou
que poderia alcançar a cozinha.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

— Eu nunca quis perder você — sussurrou ela. — Mas eu não via saída. Um
rompimento parecia mais fácil que perder você em câmera lenta.